Ljubomir Stanisic
Ljubomir Stanisic é um dos chefs mais marcantes do panorama gastronómico português contemporâneo. Comunicador incisivo, cozinheiro de identidade forte e figura pública polarizadora, Ljubomir é daqueles nomes que raramente deixam espaço para a indiferença: ou se ama, ou se odeia. E é precisamente aí que reside a sua relevância cultural.
O registo que aqui apresento não procura o retrato idealizado nem o chef enquanto personagem mediática. Acompanhei-o ao longo do tempo, de forma intermitente, com a liberdade rara de poder, ocasionalmente, virar a câmara para ele. As imagens escolhidas pertencem maioritariamente ao período da pandemia de Covid-19, um momento particularmente duro para a restauração. O peso da incerteza, a pressão económica e o desgaste emocional estão visíveis no seu semblante — fotografia como observação, não como celebração.
Integram também esta série imagens da manifestação “A Pão e Água”, da qual Ljubomir foi um dos organizadores. Um momento de contestação pública e afirmação coletiva, onde a cozinha deixou de ser apenas ofício para se tornar posição política.
Nesta galeria surge ainda a presença de outro chef icónico. Não é Ljubomir, mas poderia sê-lo em espírito. Joe Best, entretanto falecido, partilha aqui o mesmo espaço. Não por confusão, mas por afinidade. Sei que Ljubomir não se importaria — ambos representam uma geração de cozinheiros que entende a cozinha como território de identidade, confronto e humanidade.