Margot
Margot não é um nome. É um estado de espírito.
Nesta série a preto e branco, Margarida Morais abandona qualquer noção de retrato convencional e torna-se personagem — fragmentada, silenciosa, intensa. Fotografada na praia da Casteleja, perto de Vila do Bispo, o cenário não serve de fundo: é cúmplice. A falésia, o vento e a matéria crua da paisagem funcionam como extensão emocional da protagonista.
As imagens foram captadas com a Leica Q3, equipada com a APO-Summicron 43mm f/2 ASPH, uma objetiva que não perdoa distrações nem suaviza intenções. Cada textura é precisa, cada contraste é assumido. A nitidez não é estética; é narrativa. Aqui, a luz não embeleza — revela.
A inspiração vem do film noir: sombras densas, enquadramentos que sugerem mais do que explicam, um certo desconforto elegante. Há cinema nestas fotografias, mas não o cinema óbvio. É o cinema do intervalo, do que fica por dizer, do olhar que não pede permissão. Drama e mistério coexistem num equilíbrio tenso, quase físico.
Margot é uma mulher em suspenso. Entre o que foi e o que ainda não aconteceu.
Uma série onde o preto e branco não é escolha técnica, mas linguagem.