Estas fotografias nasceram em estúdio como um exercício de perceção, construção e desconstrução da imagem. HOW U C ME não é sobre como a modelo se apresenta, mas sobre como é vista — e como essa leitura pode ser manipulada, fragmentada e reconfigurada. Lena surge aqui como matéria ativa, disponível para o risco e para o erro, atravessando um espectro amplo de emoções, tanto positivas como negativas, sem procurar coerência narrativa.
O trabalho desenvolveu-se através de uma lógica profundamente experimental. Diferentes maquilhagens, poses pouco convencionais e microgestos foram testados como variáveis visuais, enquanto a luz funcionou como instrumento principal de transformação. Utilizaram-se múltiplas combinações técnicas — snoots, beauty dish, grids, luz especular, entre outras — não como demonstração de virtuosismo, mas como ferramentas de análise da face, da pele e da expressão.
Cada variação de luz altera a leitura emocional da imagem. Cada sombra desloca o significado. O estúdio torna-se um laboratório onde identidade, estética e técnica colidem sem hierarquia. Não há uma imagem “final” idealizada — há resultados, consequências e decisões assumidas.
O que se vê nesta série é o produto direto desse experiencialismo controlado: originalidade como resultado de processo, não como objetivo pré-definido. HOW U C ME afirma-se como um estudo sobre olhar, interpretação e construção visual num território onde a fotografia deixa de ser representação e passa a ser linguagem ativa.