Concentração Motos Faro
Durante dois anos consecutivos, fui contratado por três diferentes meios de comunicação social para realizar a cobertura fotográfica da Concentração Internacional de Motos de Faro. Em alguns desses contextos, o registo exigia uma postura clássica de reportagem: informativa, objetiva, funcional. Noutros, foi-me dada carta branca para explorar uma abordagem mais autoral e artística.
É dessa liberdade que nasce o corpo de trabalho aqui apresentado. Ao longo de centenas de imagens, procurei afastar-me do óbvio e do registo turístico, concentrando-me na atmosfera, no excesso e na fauna humana que define o evento. O ambiente, o striptease, os concertos, as motas, as personagens — tudo tratado como matéria visual, não como espetáculo ilustrativo.
O que deixo nesta página é apenas uma pequena amostra, menos convencional, de um universo onde velocidade, ruído, corpos e identidade coletiva se cruzam. Um olhar que se move entre o documental e o interpretativo, assumindo a Concentração de Faro como um território cultural próprio, com códigos, rituais e contradições que merecem ser observados para além da superfície.