Live & Die in Albufeira
O título ecoa deliberadamente Live & Die in Las Vegas, não como citação direta, mas como estado de espírito. Estas fotografias não foram planeadas nem procuradas. Aconteceram. Durante um trabalho, ao descer a Rua dos Bares, na Oura, em Albufeira, cruzei-me com uma figura suspensa num estado de consciência alterada — um corpo deslocado no ruído da noite turística.
Com a Leica SL3 e a Q3 43, abordei-o por instinto, atraído pela possibilidade de uma narrativa crua. Sem grande explicação, mostrou-me a língua: dois pedaços de papel mata-borrão embebidos em dietilamida do ácido lisérgico, LSD. Pedi para fotografar. Aceitou.
O que se seguiu foi uma sequência construída na fricção entre luz e sombra, neons agressivos, som saturado, loucura latente e ruído visual. Não há julgamento nem encenação. Apenas observação. Estas imagens são uma homenagem indireta ao filme, mas sobretudo um retrato de um território onde excesso, alienação e espetáculo coexistem — um microcosmo noturno onde Albufeira revela o seu lado mais febril e desconfortável.